Hoje foi anunciado a data e horário do último episódio do ano da State of Play, uma coletânea de anúncios curtos.
Usuários especulam a aparição de Resident Evil 3 Remake e Ghosts of Tsushima nesse último show.
Geoff Keighley confirmou que não há nada relacionado a RE3 Remake sendo anúnciado na TGA e o insider da indústria Daniel Ahmad insinuou a estréia oficial do jogo em um “outro evento”.
A conta oficial do PlayStation também fez algumas atualizações nas playlists de Ghosts of Tsushima. Pode ser coincidência, mas tendo occorido apenas alguns dias antes do anúncio da State of Play com certeza serve para aumentar os ânimos.
State of Play ocorrerá na próxima terça-feira, dia 10 de Dezembro de 2019, as 11:00 da manhã no horário de Brasília.
O sonho de muitos aconteceu – Pokémon, a franquia que mais vende no mundo, chegou aos consoles de mesa com Pokémon Sword e Shield para o Nintendo Switch, porém, desta vez, sendo a maior controvérsia da história da franquia, diante de múltiplos leaks e mau-entendidos diante da falta de comunicação da desenvolvedora com os rigorosos (mais que nunca) fãs.
Pré-Lançamento
Estando em desenvolvimento desde o lançamento de Sun e Moon, no 3DS, o jogo, localizado na região fictícia de Galar, baseada na Grã-Bretanha, a temporada antes do lançamento do jogo foi extremamente turbulenta, especialmente após o lançamento de Pokémon Let’s Go, mesmo o mesmo sendo bem recebido. Era gritante a espera por este título: um jogo completo na tela grande, com atualizações gráficas e todos os monstros conhecidos – mas foi na E3 de 2019 que a Game Freak confirmou que o título não contaria com todos os Pokémon já lançados previamente, onde iniciaram-se uma série de campanhas de boicote contra o jogo, envolvendo hashtags como #BringBackNationalDex e posteriormente, com supostos leaks mostrando performance gráfica de qualidade duvidosa, mais pesadas como #FuckYouGameFreak.
Mais próximo ao lançamento, surgiu a notícia que funcionários da empresa estariam com a moral mais baixa da história diante de tanta repercussão negativa diante de um projeto que, em muitas entrevistas, foi dado como um projeto muito querido pelos desenvolvedores, estes que haviam acabado de lançar Little Town Hero, primeira vez que o estúdio tenta realizar um novo projeto autoral, cujo lançamento teve boa recepção, porém acabou sendo ignorado por muitos que esperavam o novo título da série principal da empresa.
O histórico da Game Freak
A Game Freak, que abriu as portas em abril de 1989, não começou trabalhando na série Pokémon. Seus primeiros títulos contam com Yoshi, Mario & Wario e exclusivos locais japoneses, porém só foram lançar o primeiro Pokémon sete anos depois, em 1996. Uma vez que a série estourou, com exceção de títulos nada conhecidos, o foco da empresa se tornou Pokémon. Em 1998 a Pokémon Company foi fundada, responsável pela comercialização e licenciamento da franquia – o que agora seria mais um forte fator sobre o domínio da franquia, que saiu das mãos da Game Freak, deixando a ela agora apenas o desenvolvimento dos jogos.
O que recebemos
Pokémon Sword e Shield, como dito previamente, se passa na região fictícia de Galar, baseada na Grã-Bretanha. Seu mapa é um dos maiores até hoje, com comparações a jogos AAA como The Legend of Zelda – Breath of the Wild. Agora ele é dividido entre rotas e cidades e a área selvagem (Wild Area), onde o jogador pode se reunir com alguns outros, ou sozinho, e caçar livremente monstros em diversos terrenos, climas e formas. As rotas e cidades funcionam de forma similar às de Sun e Moon, porém com uma expansividade e variedade bem maior que os títulos anteriores.
A polêmica Pokédex
Os Pokémons, individualmente, estão com alguns dos designs mais diferenciados dos últimos tempos. Buscando inovar, não somente neste tópico, a GF quebrou alguns esteriótipos de Pokémon, trazendo designs únicos para substituir os bichos que sempre ganhavam alguma nova versão “prima”, tal qual Lucario e Zoroark, trios lendários, entre outros.
Os novos Pokémon são de uma quantidade média comparada às demais regiões. Depois das formas alolanas populares de Sun e Moon, a empresa decidiu continuar com a ideia de renovar designs antigos, desta vez com monstros galarianos.
A maior parte dos novos Pokémon é conceitualmente definida em sua região. De animais de campo à espécies adaptadas à poluição das cidades, até a criaturas fantásticas e misteriosas, temos uma das maiores variedades de qualquer região desde Hoenn.
A polêmica Pokédex que inclui apenas 400, foi grande alvo das críticas pré-lançamento, afinal, já contamos com mais de 900 monstros individuais na franquia, tendo alguns com múltiplas formas.
Porém, em momento algum houve necessidade ou falta de algum de geração passada não incluído – os que retornaram foram abundantes, equilibradamente selecionados de geração em geração, tipo em tipo, conceito em conceito, de forma que nenhum espaço fica vazio, seja conceitualmente ou na prática.
É possível encontrar bichos de todos os tipos em todas as áreas possíveis, já que agora eles estão visíveis no mundo, andando, brigando ou simplesmente existindo. No mato você pode encontrar sorrateiros ou insetos, enquanto perambulando por aí pode dar de cara com predadores e animais extra-ativos. Também é possível encontrar animais voando que irão colidir com você, iniciando uma batalha, sem contar nos pokémons aquáticos dentro e fora d’água que estão melhor representados que nunca.
Isto tudo fica mais interessante quando percebemos que agora podem haver spawns raros ou incomuns de bichos que só poderiam aparecer antes evoluídos, chocados ou ganhados de presente. Isto torna tudo mais realista – um mundo realmente vivo. Se algo falta neste jogo, definitivamente não é o que faz um jogo de Pokémon… Pokémon.
A Área Selvagem, os Dynamax e o Multiplayer
Na área selvagem, a coisa toma uma escala muito maior. Predadores em níveis muito mais altos que o seu correm pra destruir seu time, temporais afetam todos os spawns do mapa e as tocas de DYNAMAX, novo modo de batalha exclusivo de Sword e Shield, são as estrelas do momento – onde pode-se lutar com outros jogadores contra Pokémons selvagens enormes ou até GIGANTES, tendo uma pequena chance de capturá-los, garantindo bons stats e, se gigantes, garantem sua forma especial e única, contando também um golpe exclusivo.
A variedade de GIGANTAMAX, como são chamadas, é relativamente razoável, comparando com as mega evoluções. Além disto, toda a ferramenta de dynamax traz um bom balanceamento, pois são alternativas opcionais, ocasionais e temporárias, tendo cada tipagem um único golpe que, ainda assim, pode ser derrubado por um Pokémon de tamanho normal caso bem comandado.
Apesar de ser baseada na Grã-Bretanha, a liberdade criativa deu uma oportuna chance de tornar o mundo ainda mais interessante. A área selvagem, além de expansiva, conta com todo tipo de terreno e clima – rochoso, aquático, gélido, entre outros, incluindo as variações climáticas. Isso se expande para as rotas e cidades.
Além disso tudo, a Wild Area traz pela primeira vez um multiplayer mais profundo no jogo. Ao conectar no Y-Comms, você pode encontrar com outros treinadores, se aventurar com eles, acampar com eles, fazendo pratos mais ricos, recebendo itens raros dos mesmos ao interagir, interagindo e brincando com seus ‘mons, além de fazer as imensas batalhas contra dynamax em modo cooperativo, o que aumenta mais ainda suas chances de captura.
O multiplayer também conta com funções clássicas da franquia, como troca, batalhas e o antigo wonder trade, agora chamado de surprise trade, que você pode oferecer um Pokémon seu em troca de um de outro jogador aleatório.
As rotas, cidades e moradores de Galar
Além da massiva área selvagem, o jogo conta com rotas clássicas, porém expandidas, cidades maiores e mais relevantes que nunca, assim como úteis moradores de Galar, que trazem novas utilidades e torna o mundo ainda mais vivo.
As rotas são apenas dez, mas são bem distribuídas, cruzando partes da área selvagem para chegar nas cidades. Estas rotas e cidades possuem câmera fixa, mas cinemática, assim como em Sun e Moon, mas ainda melhor posicionada, permitindo ver o horizonte e maior parte do mapa. É questionável a presença da câmera fixa, principalmente diante de um mapa tão aberto, mas provavelmente foi intenção dos autores para focar a atenção do jogador, feita de forma que não atrapalhe a imersão.
As rotas contam com as mesmas formas de encontrar e batalhar contra monstros, mas continuam tendo treinadores ansiosos por batalhas, ainda mais variados que os jogos anteriores. Nestas rotas encontramos várias, pequenas construções ou pessoas dispostas a prover uma pausa no ritmo para recuperar energia de seus bichos, cuidar deles e proporcionar ovos dos mesmos, estações de trem gratuitas que podem ser usadas assim como o flying taxi, que substitui a função de voar de pokémons individuais para dar fast travel, assim como outras coisas relevantes pra história.
Assim como na Wild Area, você também pode fazer seu próprio acampamento aqui – ou utilizar um dos acampamentos de NPCs, que te ajudam a cozinhar e dão buffs extra.
As cidades são clássicos condados britânicos – da cidade rural à portuária, ao centro industrial poluído, à vila na floresta mágica, ao castelo gigantesco, à periferia obscura e finalmente à versão da capital do jogo, que é um dos lugares mais lindos dessa franquia – todas as cidades são úteis, vibrantes e interessantes.
A história e os poderosíssimos e carismáticos personagens da região
A franquia de Pokémon, salve exceções, é conhecida por histórias modestas. Com exceção dos de Black and White e Sun and Moon, as histórias não passam da jornada do herói com pequenas mudanças nos protagonistas e vilões, salve os personagens que sempre foram carismáticos.
Em Galar, a história já começa de forma diferente. Você e seu rival vão começar sua aventura, mas quem os introduz ao mundo Pokémon é o campeão, irmão de seu rival, Leon, conhecido como invicto e lendário treinador de Galar. Ele é uma personalidade cuja imagem está em todos os cantos da região, quase como um super herói de Galar.
Mais próximo que nunca de seu rival, Hop, sua aventura dá seguimento ao derrubar ginásios e conhecendo novos personagens, como o presidente da empresa de energia de Galar e a Liga Esportiva, Marnie e Bede, outros treinadores lutando pela posição de Leon e o incomodo e irônico time Yell, introduzido inicialmente como a equipe vilã do jogo.
A região, como todas as outras, também possui um laboratório de estudos Pokémon, gerenciado pela professora quase aposentada Magnolia e sua neta Sonia. Sonia era uma das rivais de Leon, mas decidiu focar nos estudos e seguir a carreira de sua prestigiada avó. A orientação de Magnolia, Sonia é encaminhada a acompanhar os protagonistas em sua jornada para investigar o mistério dos dynamax e o herói lendário que salvou Galar em tempos antigos.
Sonia é, não ironicamente e literalmente, a personagem mais carismática de toda a franquia desde a criação de Pikachu. É incomum na franquia termos companhia não previamente estruturada, como rivais ou Pokémon inicial, mas Sonia pega o melhor de outros personagens investigativos da franquia como Looker, mistura com o intelecto de professores como Sycamore e Kukui e fecha com a elegância própria da região.
Hop, seu rival inicial e melhor amigo de infância, também não deixa a desejar. Pegando traços cômicos de personalidade de Hau de Sun/Moon com a astúcia de rivais como Wally de Omega Ruby/Alpha Sapphire e Barry e Diamond/Pearl/Platinum, nós temos um companheiro como nenhum outro. O desenvolvimento de sua personalidade é profunda, abordando crises de identidade com fatores propositalmente colocados no jogo em seu favor. Seu desfecho na história, assim como o de Sonia, é lindo e emocionante.
Em contraste, Bede e Marnie são figuras extremamente misteriosas e curiosas. Bede segue o padrão de rivais provocativos e de personalidade forte da franquia, como Gary/Blue de Kanto e Gladion de Sun/Moon. Em oposição a Gladion, o mesmo tem aversão forte ao protagonista, o que o torna um grande oponente no jogo, tanto a você quanto a Hop e Marnie. O mesmo é endossado pelo presidente Rose, o que o torna extremamente desagradável e debochado. Ao longo da história, uma mudança drástica de eventos provoca uma inesperada mudança de destino deste personagem e seu desfecho é excelente.
Marnie e o time Yell tem uma conexão relativa. O time é um grupo de fãs tóxicos da personagem, que atrapalham seus rivais com inconveniências ao longo do caminho, mesmo Marnie solicitando fortemente a distância deles. Posteriormente é revelado a origem deste time que é mais que amável e o grupo muda seus objetivos para melhor.
Marnie é um tipo diferente de rival. Apesar de ser completamente neutra a diversas situações, seus objetivos são claros e sua determinação é uma das maiores de Galar. Ao se envolver mais com os protagonistas, estes viram fortes amigos e ela passa a andar com o grupo lutando pelos objetivos apresentados na história, principalmente após a revelação do verdadeiro time de vilões de Galar.
Os líderes de ginásio são um show a parte – cada um com suas peculiaridades, agora eles são famosas pessoas na região com atividades em seus ginásios, na liga e fora dela. Alguns são rivais entre si, outros são relacionados entre si, mas em geral, são ótimos personagens incluídos na história que muitas vezes ajudam na progressão da mesma. Piers, líder do ginásio sombrio, também é líder do time Yell, músico e um dos personagens mais importantes do jogo, pois além de ser contra o uso de dynamax, ajuda a coordenar a missões importantes no fim do jogo para salvar a região de um mal milenar provocar por pessoas irresponsáveis.
O presidente Rose, basicamente líder da região comandando diversas corporações como a própria liga, é um personagem extremamente interessante e preenchido de compaixão. Sua vida é direcionada para o bem estar de Galar, buscando cada vez mais produzir e conquistar mais pelo seu povo e pelos Pokémon. Sua assistente, Oleana, é seu oposto. Focada apenas em burocracias, se importa apenas com resultados técnicos e pouco está direcionada pelo bem comum.
Para finalizar, Leon é um dos melhores campeões até hoje – além de ser um poderosíssimo treinador, sendo o verdadeiro rival do jogo e tendo Pokémon inicial com vantagem ao seu, pega tudo que teve de bom em todos os campeões prévios e condensa em uma única marcante e poderosa personalidade, afinal, ele é o herói de Galar (piadas a parte – ele é basicamente o All Might). Próximo ao fim do jogo ele se torna parte do grupo do protagonista e é quando tudo fica mais incrível.
A história, após o sexto ginásio, toma um rumo bem cinemático, não visto antes na franquia. Por anos era pedido por eventos como os dos filmes dos animes, coisas que se realizaram em poucos títulos, como Platinum, B/W, OR/AS e S/M. Desta vez as coisas ficaram (piada forçada) GIGANTES e a história verdadeiramente se extende no post-game, com novos personagens e um grandioso desafio pra capturar os lendários, que desta vez são verdadeiros personagens.
O que faz Pokémon… Pokémon
Diante de grandes melhorias conteudistas, é de se esperar que o jogo mantivesse um padrão de qualidade digno em seu sistema de batalhas e progressão.
Aproveitando ideias implantadas inicialmente em Pokémon Go e posteriormente Let’s Go, agora doces são itens frequentes no jogo, recebidos ao derrotar dynamax selvagem. Os doces são para qualquer Pokémon, e, além do EXP Share obrigatório mas moderado, é possível equilibrar decentemente o progresso de sua equipe, além de treinar novos Pokémons ao finalizar o jogo.
A nova combinação de tipagem mencionada previamente no texto foi uma grande quebra de paradigmas, acompanhada de novos golpes que tiram a repetitividade dos antigos, agora promovendo frequentes mudanças de estado nos bichos – e aproveitando estas mudanças de estado para quebrar ainda mais seus inimigos – ou membros do seu time.
Considerando a distribuição dos ‘mons no mapa, é louvável como a variedade foi tematicamente e tecnicamente bem implementada. O jogo te incentiva a conhecer novos Pokémon e expandir seu time, combinando sequências devastadoras e treinando diversos tipos.
Os ginásios, de volta melhores que nunca, agora são grandes estádios. Em Galar, batalhas Pokémon são um grande esporte que move a economia e a sociedade para frente. Com desafios leves para chegar no líder, a atração principal, estes elevam o nível dos anteriores, mas ainda deixam a desejar no nível dos obstáculos.
Os líderes, por outro lado, podem ser grandes desafios. Com times variados e por vezes inesperados, requerem verdadeira preparação para serem combatidos – ou derrubarão seu time inteiro em um piscar de olhos, principalmente ao utilizarem seu Pokémon Gigantamax.
A Liga não é mais composta por uma Elite dos Quatro, apesar de ter quatro grandes desafiantes antes do Campeão. Ela funciona como um torneio por chaves com os mais fortes desafiadores de Galar, assim como ilustres líderes de ginásio. Ao fim, você combate o Campeão lendário, Leon, numa épica e marcante batalha.
Após o post-game contextualizado, é possível retornar a Liga para rebatalhar desafiantes e líderes de ginásio, agora como o campeão. É uma nova tomada na fórmula previamente apresentada no anime que foi muito bem utilizada.
Também disponível agora é a famosa Torre da Batalha, na mesma cidade da Liga. A mesma promove um desafio ALÉM do padrão, com nível congelado para todos os treinadores e menos Pokémon por equipe. Seu fator rejogabilidade é imenso, principalmente considerando as recompensas disponíveis.
A performance pecaminosa do que poderia ser o jogo do ano
Agora, exige-se a necessidade de falar sobre alguns pontos fortíssimos do jogo, negativamente falando. Pokémon Sword e Shield são um belo par de jogos que, por motivos de falta de gerência do que é a maior franquia do mundo, não foi o que poderia ser com os recursos disponíveis. No início deste texto foi explanado sobre o que a Game Freak é – um pequeno estúdio que perdeu o controle da própria franquia por motivos corporativos de superiores a ela. Não tirando sua culpa, pois ela é responsável pela qualidade dos produtos da própria, porém o tempo dado para estes títulos definitivamente não foi suficiente.
O jogo sofre de GRAVES problemas de performance, beirando o aceitável. Deixando claro que o jogo é uma obra de arte – sua apresentação técnica é pecaminosa e do nível de um estúdio independente inexperiente; sendo este estúdio uma das proprietárias da franquia best-seller absoluta do planeta, que trabalha nesta há mais de 20 anos.
Sword and Shield são jogos de POKÉMON. Títulos frequentemente desenvolvidos para portáteis – o que não saiu do coração da Game Freak. Aproveitando muitos recursos de Let’s Go, mas não todos, suas limitações são broxantes diante da capacidade de produção dada. A arte do jogo é mais que apropriada pro mesmo, não há falhas nesta, mas o jogo que é para um console de mesa não possui cutscenes que passam dos dez segundos e os personagens se movimentam no que deveriam ser cutscenes numa grade convencional dos jogos portáteis, ou seja, ainda em oito direções.
Além disto, o jogo sofre de péssima, terrível e assustadora falta de otimização (o que é corrigível) na Wild Area. Suas partes possuem climas diferentes, o que são bem-feitos e apresentados, porém suas transições doem caso conectado à internet, onde outros jogadores aparecem no mapa. Transições estas que poderiam ter sido feitas simplesmente mais suaves para não comprometer a imersão ou quantidade de quadros por segundo.
Falando ainda de transições, a distância de renderização do jogo também peca ao exibir objetos semi-estáticos. Personagens e árvores (estas árvores que por motivos desconhecidos possuem texturas apavorantes) brotam no mapa sem necessidade, coisas que poderiam ser corrigidas com prioridade de renderização definida pela aproximação da câmera (o que é feito há mais de uma geração de console). Pokémons e detalhes do mapa não possuem estes problemas! Porque coisas tão mais simples e menos ativas são desnecessariamente mal otimizadas? Fica claro que a Game Freak teve dificuldade em otimizar o tipo de produção deles para consoles de mesa, mas ao invés de adiarem como qualquer outro título da Nintendo, tiveram seu lançamento cobrado pela Pokémon Company e lançaram o jogo neste estado que não é injogável, porém cujos erros são notáveis e desagradáveis.
A arte de Pokémon Sword and Shield, apesar da má performance gráfica, é uma beleza a se contemplar. As animações dos monstros são ricas, os designs são magníficos e o mundo é lindo.
A trilha sonora desse jogo pega tudo de melhor que já tocaram em todos os títulos e faz referências musicais e instrumentais sempre que pode, mantendo a originalidade e temática de Galar. Pegando toques de música folclórica com clássico rock britânico, ao techno moderno em batalhas mais frenéticas, temos uma das mais variadas trilhas sonoras da franquia.
Toques finais à magia: A pureza da interação com nossos Pokémon
A coisa mais pura inventada em tempos recentes que foi dominada com maestria neste título foi o acampamento com seus Pokémon.
Não apenas você pode interagir individualmente com eles e de seus amigos, como pode brincar com eles, entre eles, subindo níveis de confiança, o que aumenta status individuais dos mesmos, como também cozinhar e alimentar a todos, o que serve como um Centro Pokémon portátil.
Pros:
Ressucitou a magia de Pokémon;
Melhor arte desde o GBA;
Área Selvagem;
Colecionismo incentivado;
História e personagens;
Rejogabilidade/Quantidade de conteúdo.
Cons:
Performance pecaminosa para o padrão de qualidade do resto;
Erros de execução de geração passadas no que deveria ser um jogo da geração atual.
Plataforma:
Nintendo Switch (plataforma analisada)
Nota: ☕️☕️☕️☕️
Pokémon Sword e Shield são um par de jogos extremamente difícil de analisar diante de sua situação de lançamento, contexto histórico da franquia e mudança de tipo de plataforma, porém o jogo superou expectativas diante de tamanha polêmica gerada antes de seu lançamento. Nossa experiência tem sido dourada, trazendo o que buscávamos há muito tempo na franquia – uma experiência pessoal e fantasiosa desse universo tão rico. Mesmo com suas dificuldades técnicas, Pokémon Sword e Shield emplacaram como um dos maiores lançamentos do ano não apenas para o console, como para a própria franquia e iluminam um esperançoso caminho para o que pode vir a seguir – mas que seja feito com mais cautela e mais tempo.
The Outlast Trials será o próximo título da Red Barrels. A desenvolvedora da série Outlast, tendo lançado há certo tempo seu segundo título, saindo do horror de um asilo psiquiátrico para uma região dominada por religiosos extremistas sanguinários, agora a empresa pretende buscar os horrores da Guerra Fria, colocando os jogadores no lugar de cobaias em um modo cooperativo.
David Chateauneuf colocou como: “Agora que colocamos nosso conceito à prova, está na hora de focarmos em criação de conteúdo, variedade… e carnificina.”
O jogo ainda não tem previsão de lançamento e está em fase de produção.
Café dos colonos é uma coluna onde revisitamos títulos antigos com recomendações (ou não) de jogos clássicos. Uma boa dose de nostalgia e história da indústria de jogos.
Na década de 90 tivemos o boom dos plataformers. O auge da rivalidade entre Sonic e Mario criou um campo fértil para as empresas tentarem emplacar seus mascotes no mercado, e nesse tempo tivemos muitos jogos notáveis no gênero (e Bubsy).
Porém, Klonoa: Door to Phantomile não foi criado apenas como uma resposta comercial. Hideo Yoshikawa, diretor da trilogia de Ninja Gaiden de NES, queria uma experiência mais cinemática e com uma história mais trabalhada do que era comum na época. O conceito do jogo foi criado por ele antes sequer de começar sua produção, mas eventualmente com sua experiência em desenvolvimento e com a popularidade crescente do gênero, seu projeto se tornou real.
O objetivo de Yoshikawa foi atingido com sucesso, a história de Klonoa com certeza se sobressai na época que saiu, e até hoje ainda tem valor na mensagem que transmite. A história começa com algum objeto misterioso colidindo no horizonte, tendo um pressentimento de que é importante pois remetem a seus sonhos, Klonoa decide investigar junto com seu amigo Huepow. A narrativa é simples, pegando exemplos de RPGs da época com caixas de texto, cutscenes em CGI e atuação de voz fazendo uso de sons inarticulados para demonstrar fala. Sua história como um todo é relativamente simples, e apesar de alguns furos no roteiro tem um carisma único desde sua apresentação até seu desfecho dramático.
Mas apesar de ter como objetivo um foco especial na história, o jogo não decepciona em jogabilidade. Fazendo uso de apenas os direcionais e dois botões seus comandos são extremamente simples, porém sua verdadeira complexidade vem no level design e na criatividade em vencer seus obstáculos com as poucas ferramentas disponíveis. Não há nenhum tutorial dentro do jogo, já que isso normalmente era relegado ao manual que vinha junto com a mídia física. Mesmo assim, não é impossível de compreender seus comandos apenas com testes. Um botão para ataque, um para pulo, e cada um com pequenas variações dependendo do contexto.
Na época foi elogiado pelos elementos 3D que influenciavam o gameplay de um plataformer 2D. Duas décadas depois e ainda não tivemos nada que utilizasse as mesmas técnicas com a mesma maestria que Klonoa. Além de frequentemente termos objetos no fundo ou frente da tela que só podem ser interagidos segurando para cima ou para baixo, temos um level design que faz uso extensivo de seus ambientes 3D para fazer backtracking, segredos, ou até puzzles.
A dificuldade foi cuidadosamente construída para ensinar técnicas importantes no começo com baixo risco e vagarosamente aumentando até suas duas últimas telas começarem a exigir que você use tudo que aprendeu para avançar. E para os que ainda procuram mais desafio após zerar o jogo, coletar todos os 6 balões em cada tela libera uma torre que realmente mostra o potencial que a jogabilidade de Klonoa tem.
Cada quarto providencia um desafio desse nível, sem sombra de dúvidas prova da ingenuidade de um design simples com uma execução complexa.
E o que junta tudo em um conjunto memorável é seu design artístico. Mesmo sendo restringido pela tecnologia da época com gráficos poligonais e pouco espaço de memória, Yoshihiko Arai faz uso de visuais intensos e distintos e Junko Osawa compôs uma trilha marcante e emotiva que te acompanha durante a jornada. Klonoa é um caso de um trabalho impecável de todas as partes envolvidas, seja do artístico, jogabilidade ou enredo.
Klonoa: Door to Phantomile não foi um fracasso, mas também foi lançado em meio a outros ótimos títulos, e na divisão de holofotes não foi uma franquia que criou um legado duradouro. Houve alguns títulos para portáteis e uma continuação para PS2, que apesar de ser um ótimo plataformer, não conseguiu superar DtP em vários quesitos.
A boa notícia é que depois de um longo hiato e um aparente descaso por parte da Bandai Namco com a franquia, nesse ano tivemos um bom indício de que Klonoa irá ganhar um remaster ou remake com o sufixo “Encore”. Se esse relançamento fará jus ao que o clássico representa só o tempo dirá, mas com certeza é algo que vale a pena esperar por.
Pros:
Artísticamente impressionante em visuais e trilha sonora;
Jogabilidade simples porém muito bem executada;
Personagens carismáticos e marcantes;
Uso extremamente criativo de um ambiente 3D em jogabilidade 2D;
Uma história emocionante;
Puzzles criativos e ótimos desafios secundários.
Cons:
Física de movimento pode ser meio estranha as vezes;
Inconsistência na duração das telas.
Nota: ☕☕☕☕☕/5
Plataformas:
PS1 (plataforma analisada), PS3 classics;
Wii (remake 2008).
Um jogo com valor nostálgico imenso pela emoção que evoca e um que facilmente sobreviveu o teste do tempo com mecânicas criativas e muito bem executadas. A mistura de uma produção grande porém com direção criativa e não somente comercial serve como uma lição que algumas empresas atualmente aparentam ter esquecido. Em suma, é uma experiência simplesmente atemporal.
Após vários rumores e supostos vazamentos de que Resident Evil 3: Remake será anunciado na TGA, mais um indício de que os rumores podem ser verdadeiros surge. Um tracker do API da PlayStation Network reportou que Resident Evil 3 foi registrado nas lojas do Japão, Américas e Europa.
Dado o imenso sucesso de Resident Evil 2: Remake, não é de surpreender que a Capcom iria dar o mesmo tratamento para o terceiro jogo da franquia, mas um anúncio no mesmo ano de lançamento de RE2RE com certeza impressiona.
Dia 12 de Dezembro as 10:30 PM irá ocorrer a The Game Awards 2019. Fãs da franquia de survival horror podem ficar interessados em acompanhá-la para o provável anúncio oficial.
Hoje venho com muita alegria abrir nosso sorteio de fim de ano do Café com Geeks. Como prometido, estaremos sorteando uma cópia de Death Stranding OU até 251 reais em jogos para o Nintendo Switch pela e-shop brasileira OU o mesmo valor em jogos na Steam.
Para participar, basta seguir os passos indicados no Gleam.io, incluindo seguir nossas redes sociais, divulgar o sorteio e participar da nossa votação pública do Barão do Café, que pode ser feita no link dado.
Se quiserem nos ajudar mais ainda, sigam os LINDOS E MARAVILHOSOS ARAUTOS DA CAFEÍNA que ajudaram a manter nosso site vivo no último ano, financeiramente e administrativamente.
O resultado será dado ao vivo no nosso debate dos melhores jogos do ano de 2019, o Barão do Café, uma semana após a The Game Awards, no final de semana, então fiquem atentos!
Obrigado por tudo que fizeram por nós este ano e boa sorte à todos!
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